Sinait e Safiteba promovem seminário em Salvador
Nesta quinta e sexta (25 e 26 de agosto) acontece em Salvador o seminário "120 anos da fiscalização do Trabalho no Brasil", organizado pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho (Safiteba) e pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait). O evento ficou sediado no Hotel Fiesta e no auditório da Fundacentro.
A Mesa de abertura da atividade, formada às 9h30, contou com as ilustres presenças de Dra Rosângela Silva Rassy (presidente do Sinait), Dr. Carlos Roberto Dias (presidente do Safiteba), Dra Iza Maria Lelis Simões (Superintendente do Trabalho na Bahia), Ailton Araújo (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Cláudio Murilo (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), Rômulo Almeida (Ministério Público do Trabalho), Roswilson Góes (Sindifisco) e Alberlita Silva (vice-presidente do Sinait).
PALESTRA DE ABERTURA
Às 11h foi formada a segunda Mesa, para a palestra de abertura do evento com o presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Márcio Pochmann. Ele falou sobre os atuais desafios do mercado de trabalho no Brasil. A palestra faz parte do seminário "120 anos da fiscalização do Trabalho no Brasil".
Pochmann traçou um panorama geral da evolução das leis trabalhistas e das relações de trabalho no Brasil, desde a independência até os dias atuais, apontando diferenças entre os modelos adotados no País e em outros países com situações econômicas similares. "O novo e o velho continuaram coexistindo durante muito tempo. A Consolidação das Leis de Trabalho foi feita para algo que não existia no Brasil na época, os trabalhadores urbanos. Os trabalhadores rurais somente foram incorporados a partir da década de 60 e somente são incorporados plenamente na constituição de 88", citou o presidente do Ipea.
O economista comentou ainda sobre a crise internacional, com o deslocamento dos centros econômicos dos Estados Unidos para outros países, como a China. "Desde 2008, três países, China, Índia e Brasil são responsáveis por 40% do crescimento do mundo, uma coisa inédita", lembrou Pochmann. "Há a possibilidade de construção de outros centros regionais dinâmicos", destacou.
As novas relações de trabalho foram discutidas, principalmente com a evolução das tecnologias da informação. "Alguns ficam todo feliz quando recebem um celular corporativo. 'Olha só meu computador'. Mal sabe ele que agora vai trabalhar a qualquer hora. Essas novas tecnologias de informação vinculadas ao trabalho imaterial estão elevando dramaticamente a depressão", comentou.
Sobre as diferenças entre ricos e pobres, Pochmann indagou porquê jovens pobres entram cedo no mercado de trabalho, enquanto os filhos dos ricos só precisam trabalhar depois dos 24 anos, quando já concluíram o curso universitário. "O ensino superior agora é o piso e não mais o teto. É a base comum pela qual se constrói essa sociedade. Precisamos de uma profunda revolução educacional. O projeto chinês de dominação é de 80% dos seus jovens de 18 a 24 anos no ensino superior. Por que não nós?", questionou.
O evento continuou na tarde desta quinta e durante toda a sexta com palestras mais voltadas para o público interno. |